Em entrevista com Marcelo Hessel os atores Joel Kinnaman e Michael Keaton de RoboCop (RoboCop) do remake de RoboCop, do diretor José Padilha, Tropa de Elite e mais.

É um prazer conhecê-lo, e obrigado pelo seu tempo.

Joel Kinnaman: É um prazer conhecê-lo também.

Você viu o outro filme recentemente para se preparar ou tentou ficar longe dele?

JK: Não, eu assisti a esse filme tantas vezes, entre 20 e 25 vezes, quando eu era criança e estava crescendo, e era um dos meus filmes favoritos então eu tinha tudo guardado.

Quando você tem um filme tão rico quanto o RoboCop original é mais fácil, facilita o remake, ou dificulta?

JK: Depende do filme que você quer fazer, eu acho que nós tínhamos uma ideia, ou o José Padilha tinha uma ideia do que queria fazer com o conceito de RoboCop e a história que ele queria contar usando o conceito do RoboCop, e claro, existem influências do original, mas a ambição era manter alguns elementos chave do original mas fazer uma nova história através desse conceito.

E você fez todas as cenas com o traje ou foi misturado com computação gráfica?

JK: Digo, o traje é melhorado com CGI, mas eu acho que o usei em 95% das cenas.

E como você faz para usá-lo e não fica bobo, tipo, andar como um robô, há uma mistura, certo?

JK: Sim, digo, nossa ideia de como esse RoboCop andaria foi bem diferente de 1987, e isso vem da nossa visão de onde a robótica está, a diferença é grande de onde estava em 1987 e onde está agora, digo, nós já temos robôs que andam com movimentos fluidos, então a nossa ideia da programação por trás do padrão de movimento seria das forças especiais e ele teria padrões de movimentos fluidos, quase sobre-humanos.

Atores sempre dizem que é mais divertido fazer o vilão, e você fez grandes vilões na sua carreira, “Morando com o Inimigo”, “Medidas Desesperadas”, você acha mais divertido? Até mesmo “Os Fantasmas se Divertem”.

Michael Keaton: Sim, ele é um garoto malvado, acho que ele é um bom garoto às vezes… Na verdade, não. Sim, na maioria das vezes provavelmente é, não sei por quê, acho que talvez, não sei, talvez as pessoas andam reprimindo um lado negro e você pode liberá-lo, eu realmente não sei por quê. Na maior parte do tempo, não o tempo todo, às vezes é bom.

Você disse que queria fazer esse filme por causa do José Padilha.

JK: Sim, correto.

Você gosta dos dois filmes “Tropa de Elite”?

JK: Eu os amo, acho eles fantásticos, e também “Ônibus 147” foi um documentário fantástico.

Você acha que existem similaridades entre “RoboCop” e os dois “Tropa de Elite”?

JK: Existem algumas ideias parecidas os dois são filmes meio que anti-fascistas e… Mas essa também é a maneira que o José vê o RoboCop, e Paul Verhoeven fez a correlação entre a automação da violência e o fascismo e o José leva essa ideia mais longe.

E quando você trabalhou com o José foi tudo o que você esperava?

JK: Sim.

Como foi?

JK: Foi fantástico, ele é um diretor incrível. Ele começou com um processo de ensaio de três semanas, o que foi bem impressionante porque ninguém ensaia por três semanas nesse tipo de filme e ele juntou todos os atores, trabalhou todas as cenas, ensaiou todas as cenas e mudou o script, foi impressionante.

E você trabalhou com o Alejandro González Iñárritu em “Birdman”. Como foi a experiência?

MK: Eu amo trabalhar com o José, e amo… Esses dois caras, sabe, um depois do outro… foi realmente recompensador, “Birdman” foi o mais difícil filme que eu farei na minha vida, provavelmente, foi difícil fazê-lo por causa de como o filmamos, só há uma câmera e é tudo uma longa tomada. Entende o que eu digo?

Sim, sim.

MK: Então não existem cortes.

Sem cortes.

MK: Não tem 15 takes aqui, 10 takes aqui, sabe quando você inverte? Não acontece, ele filma você, dá a volta, me filma, filma ele, sai pela porta, vai para a rua. Bem difícil, então você precisa ter a dicção perfeita, precisa saber o roteiro inteiro, você precisava… todos os atores não podiam cometer um erro, e trabalhamos o dia inteiro e se alguém errava tínhamos que voltar e fazer tudo de novo. Foi exaustivo, e emocionalmente foi muito pesado pela natureza do script.

E é uma sátira de super-heróis, certo?

MK: Ele… é como, ele faz muitas coisas, sabe, faz muito… é difícil explicar, eu tenho dificuldade em explicar, você precisa vê-lo, é bem…

E você tentou trazer seu Batman de volta? Seu Bruce Wayne de volta, para…

MK: Nós… eu criei para o Batman original, eu tinha essa ideia, tinha várias ideias, e o Tim Burton tinha várias ideias, tínhamos essa ideia e nós… eu contei ela ao Alejandro e nós inserimos um pouco dela.

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